Durante alguns dias fui juntando as peças de um quebra-cabeças que ainda me preocupa.
Creio que até o final do ano sofrerei uma mudança em minha vida.
Será realmente sofrimento? Não. Estou há tempos observando rotinas, analisando posturas, e o que mais me entristece é ver menosprezada minha capacidade de percepção.
É impossível não ver. Contudo, é doloroso fingir não ter visto. Passar os dias esperando o inevitável. Para que prolongar? É mais dinheiro, mais incômodo. Cada dia fica mais difícil dizer.
Difícil aceitar? O destino não. Mas a idéia de julgarem-me tola, sim!
Meu potencial adormece até o próximo final de semana, onde o 'eu' se manifesta em detrimento daquela que sobrevive às asperezas do dia-a-dia. Dia após dia.
Por que não saio? Por que não tomo uma iniciativa? É mais fácil esperar. É mais demorado. Talvez renda mais frutos. São os frutos que me impedem.
O orgulho adormece. Dormente permanece meu ser que não quer continuar no mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas.
Sem produção o intelecto murcha.
Como uma flor que não é regada, como uma fruta colhida, estou murchando aos poucos.
Não quero ser colhida. Não quero rotina. Quero ser regada.
Mas isso não é possível. Não sou mais de interesse do jardineiro. Aquele que um dia me ajudou a germinar, hoje não me quer. Deixa-me murchar no jardim porque nem colher-me é seu desejo.
Não desejo continuar com esta névoa de menosprezo a me cercar. Estou a um passo de tomar uma atitude, que seja certa, que seja a melhor. Pois a melhor eu sou, escondida, sem ser notada, prestes a enlouquecer e me mandar daqui.
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