sexta-feira, junho 13, 2008

Desabafo: O Silêncio

Um dia projetei ser uma solteira convicta. Um dia, pensei em ter um filho. Um dia, pensei em ter escritório de advocacia com uma grande amiga.

Não estou solteira, sou solteira. E acho q este fato não mudará. Gosto da solidão, de dedicar-me ao trabalho e estudos e, ao menos q este companheiro compreenda como sou (e eu a ele), sei que não dará certo.

Não tenho a ilusão de que para ser bem sucedida preciso ganhar rios de dinheiro com minha profissão e estar casada. Bem casada. Conheço mulheres maravilhosas que, solteiras, fazem o melhor de suas vidas. Que assim o seja também para mim.

Solteira. Minha família se resumiria a mim e a meu filho. Este é (era) o maior projeto e o mais provável de não se realizar. Com problemas no útero (e contando com meu histórico familiar), é possível não poder gerar. Bem possível.

Não consigo mais olhar para crianças da mesma forma. Na próxima semana vou fazer a cirurgia. Estou com medo. Muito medo. E ninguém se tocou disso ainda.

Estou com 27 anos. Sem namorado. Sem filhos. Sem uma carreira estabelecida. Sem uma grande poupança. Sem imóveis. Sem automóvel. Eu só tenho a mim. E a partir da próxima semana, podendo ser eu em parte (sem parte). Sem gerar.

O que me resta é gerir... os meus estudos, o meu trabalho. Viver para o trabalho. Ser o trabalho. Ser o Direito da maneira mais intensa possível... e assim esquecer o resto (que resto!).

Eu gosto do silêncio. Mas não acho que silenciar seja o mesmo que consentir. É o refletir, sim. Mas não necessariamente afirmando o externado pelos outros.

Eu ouço. Eu silencio. Gosto de me reportar ao meu mundo, que criei quando criança e que de onde querem me tirar agora. Agora é tarde. Muito tarde.

É no silêncio que escrevo. Gosto mais de escrever que falar. Pena ser pensada esta uma exceção, não uma realidade ‘normal’.

Ah, meu silêncio! Já me acostumei a ele e ele a mim. É ele que me conforta. É ele que faz com que eu não enlouqueça com repetições vãs.

Gosto da solidão, do silêncio. Ele me fala. Eu sei ouvi-lo. Espero que mais o saibam. Que o saibam melhor que eu.

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