Linda poesia do livro Poesias Infantis de Olavo Bilac.
O livro foi escrito em 1929.
Nesta fase de transição em que vivo é muito bom perceber algumas "confusões" histórico-literárias.
É muito bom perceber, que em meio a semana de arte moderna, às efusivas manifestações subversivas, um poeta dedica um livro aos infantes.
Hoje descubro que, como a borboleta, também tenho asas.
Com vocês, A Borboleta:
¸.•´ Trazendo uma borboleta,
( `•.¸Volta Alfredo para casa.
`•.¸ )Como é linda! é toda preta,
¸.•)´ Com listas douradas na asa.
¸.•´ Tonta, nas mãos de criança,
( `•.¸Batendo as asas, num susto,
`•.¸ )Quer fugir, porfia, cansa,
¸.•)´ E treme, e respira a custo.
¸.•´ Contente, o menino grita:
( `•.¸“É a primeira que apanho,
`•.¸ )Mamãe!vê como é bonita!
¸.•)´ Que cores e que tamanho!
¸.•´ Como voava no mato!
( `•.¸Vou sem demora pregá-la
`•.¸ )Por baixo do meu retrato,
¸.•)´ Numa parede da sala.”
¸.•´ Mas a mamãe, com carinho,
( `•.¸Lhe diz: “Que mal te fazia,
`•.¸ )Meu filho, esse animazinho,
¸.•)´ Que livre e alegre vivia?
¸.•´ Solta essa pobre coitada!
( `•.¸Larga-lhe as asas, Alfredo!
`•.¸ )Vê como treme assustada...
¸.•)´ Vê como treme de medo...
¸.•´ Para sem pena espetá-la
( `•.¸Numa parede, menino,
`•.¸ )É necessário matá-la:
¸.•)´ Queres ser um assassino?”
¸.•´ Pensa Alfredo... E, de repente,
( `•.¸Solta a borboleta... E ela
`•.¸ )Abre as asas livremente,
¸.•)´ E foge pela janela.
¸.•´ “Assim, meu filho! perdeste
( `•.¸A borboleta dourada,
`•.¸ )Porém na estima crescente
¸.•)´ De tua mãe adorada...
¸.•´ Que cada um cumpra a sorte
( `•.¸Das mãos de Deus recebida:
`•.¸ )Pois só pode dar a Morte
¸.•)´ Aquele que dá a Vida.”
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